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Mostrando postagens de janeiro, 2023

Killing Zoe (1993)

  Assistido em 24 de janeiro de 2022.    Pegue a violência crua e a temática de filmes sobre assaltos a bancos que Reservoir Dogs  (1992) e Dog Day Afternoon  (1975), uma estética suja e pessimista, misture bem e temos "Killing Zoe", filme escrito e dirigido por Roger Avary, que mais tarde assinaria o roteiro de Pulp Fiction ao lado de Quentin Tarantino, que produziu o filme de Avary junto com seu colaborador, Lawrence Bender. Eu diria que Avary fez aqui um trabalho notável nesse filme. Sua direção é frenética e experimental, o que funciona muito bem. A estética usada nas sequencias em que os personagens estão sob efeitos de drogas, com uma câmera desajustada, closes claustrofóbicos, um turbilhão de luzes iluminando seus rostos suados, a lente da câmera levemente distorcida, causam uma imersão desconfortável e, eu acho que pode-se dizer que influenciou Trainspotting (1996).   A fotografia suja e "subterrânea", talvez underground, usufrui bem da estética do...

Hot Summer Nights (2017)

      Assistido em 18 de fevereiro de 2022.   Eu enrolei um b om tempo para assistir Hot Summer Nights , e, agora que o fiz, me arrependo de não tê-lo assistido antes. É o tipo de filme que curto assistir num fim de semana à noite após o trabalho. É um filme descompromissado, que vai te proporcionar algum tipo de entretenimento. Porém, queria ter gostado mais desse filme.    Gostei da direção de Elijah Bynum. Há alguns planos fechados que me fizeram recordar o estilo de direção do Wes Anderson e sequencias com a câmera em mãos que me lembraram o estilo de filmar do Paul Thomas Anderson. Mas há um problema em conduzir a narrativa confusa e Bynum acaba se perdendo na própria trama.   O roteiro é interessante e cheio de referências, mas são tantas e tão escancaradas que sobrecarregam a narrativa e ofuscam-na. Também há um sério problema ao acertar o seu tom: em determinados momentos, quando o filme quer ser sério, ele se torna apelativo demais, embora haj...

Antrum (2018)

  A ssistido em 06 de fevereiro de 2022.    Eu gostei de Antrum mais do que pensei que fosse gostar. Trata-se de um longa que possui um certo charme, mesmo com um roteiro um tanto quanto pretensioso. É mais um desses filmes que se sustentam por um falso documentário e imagens passando rápidas na tela cujo conteúdo choca. No caso de Antrum , há esse documentário que abre o filme contando sobre um filme misterioso, que dá nome para o longa, e como e as consequências mortais de assisti-lo. Esse filme, rodado em 35mm, granulado, provavelmente feito nos anos 70, fala sobre dois irmãos, uma garota e um menino, que se esgueiram para dentro de uma floresta densa a procura da entrada do Inferno para salvar a alma da cadela do menino.   Acredito que Antrum tinha potencial para ser um bom filme de terror/suspense se não tivesse se apoiado tanto nesse falso documentário e tirado os sons e as imagens sem sentido que surgem de repente durante o filme, usados como um recurso bar...

Inherent Vice (2014)

      Assistido em  31 de janeiro de 2021.   Inherent Vice é baseado no livro homônimo de Thomas Pynchon, lançado em 2009. Eu não li o livro e, só pelo fato de Paul Thomas Anderson, um dos cineastas mais geniais dos últimos tempos, ter se interessado em adaptá-lo para o cinema, já fiquei super curioso para conhecer a obra de Pynchon. Quanto ao longa de Anderson, vê-se que o diretor se descontraiu muito rodando-o, entregando um filme bastante ousado. Além disso, Inherent Vice é um daqueles casos em que as atuações se põem à frente de quaisquer aspectos técnicos do filme.   A direção de Anderson é bastante interativa com os cenários, criando planos sequência que o diretor tanto gosta de fazer. Há um senso autoral forte. A câmera é muito presente, às vezes causando desconforto com planos fechados claustrofóbicos remetentes a estados emocionais dos personagens.   A direção de arte desse filme e o design de produção estão ótimos. A recriação de époc...

Nosferatu (1922)

    Nosferatu  de F. W. Murnau é um clássico do expressionismo alemão e um marco do terror no cinema. Minha relação com esse filme já é de longa data: assisti-o pela primeira vez há alguns anos quando tinha, se me recordo bem, 15, 16 anos, e não tive uma experiência muito boa na época. Achei o filme chato por ser mudo e fiquei com sono. Abandonei-o no começo do terceiro ato. Porém, as cenas do Conde Orlok, o vampiro, me perseguiram e continuaram fixas em minha mente como quadros sombrios. Quando pensava em vampiros, pensava, exclusivamente, no Conde Drácula, mas era a imagem do Conde Orlok espreitando na escuridão com sua postura ereta e travada e seus olhos arregalados que me ocorria.   Agora, já adulto, decidi revisitar essa obra e, surpreendentemente, tive uma experiência muito melhor da que tive durante a adolescência. O longa, como um todo, é fantástico, e a sua história de bastidores é interessantíssima! "Nosferatu" nada mais é do que uma adaptação ilegal do ro...

American Graffiti (1973)

    Eu particularmente adoro filmes com o gênero "coming-of-age", e American Graffiti de George Lucas me marcou bastante com seu roteiro simples, mas cheio de energia e autenticidade.   Em uma cidadezinha da Califórnia no início da década de 1960, um grupo de jovens decidem curtir a noite que mudará suas vidas e os farão tomar decisões que moldarão seu futuro. Logo no primeiro ato os personagens e suas personalidades já são bem estabelecidas. O roteiro divide-os em 4 núcleos: Curt (Richard Dreyfuss) ainda está indeciso sobre ir para a faculdade no dia seguinte e transita pelas ruas tentando se encontrar; Steve (Ron Howard) e sua namorada Laurie (Cindy Williams) precisam chegar à um consenso sobre seu relacionamento ameaçado pela partida de Steve para a faculdade com Curt; Terry (Charles Martin Smith) dirige o Chevrolet Impala de Steve emprestado por ele e se envolve em desventuras pela cidade ao lado de uma bela garota; e John Milner (Paul Le Mat) passa a noite enfiado e...

Hard Eight (1996)

    O filme que marca a estreia de Paul Thomas Anderson no cinema, Hard Eight é um clássico imediato do neo-noir. Nele, Anderson já estabeleceu seu estilo único de direção e sua metodologia para com o elenco, trazendo à tona performances memoráveis.      Percebe-se uma grande influência dos filmes de Martin Scorsese não só em Hard Eight , mas em toda a filmografia de Anderson, e sua habilidade em escrever excelentes diálogos longos (que não se tornam chatos) e corriqueiros. O roteiro de Hard Eight está recheado de diálogos envolventes e uma trama com reviravoltas plausíveis. Os três atos são bem desenvolvidos, com conclusões  satisfatórias para todos os arcos dos personagens .    A direção de Anderson é cheia de trejeitos. Sua habilidade em alternar a câmera é formidável. Há jogos de câmera inventivos; a câmera na mão cria um ótimo senso de imersão e os planos sequência, que são a assinatura do cineasta, são um deleite! A maneira que Anderson co...

The Life and Times of Judge Roy Bean (1972)

    Uma fábula sobre o Velho Oeste filmada por John Huston, diretor de Relíquia Macabra (1941) , filme estrelado pelo talentosíssimo Humphrey Bogart, Roy Bean - O Homem da Lei !  ou The Life and Times of Judge Roy Bean (título original), faz parte da Nova Hollywood, ou seja, é um filme com violência e linguagem explícita realizado com técnicas cinematográficas que caracterizaram essa fase tão marcante do cinema americano, que começou no final dos anos 60.   A direção de Huston é cheia de cenas bem coreografadas, com movimentos de câmera que acompanham e conduzem muito bem a violência quando ela é mostrada: com poucos cortes e sem medo de mostrar uma bala atravessando o corpo de alguém com o sangue jorrando. Claro que essa violência explícita precisa ter algum significado na maioria dos filmes. Aqui ela funciona no começo, com uma cena bastante memorável que me deixou boquiaberto mesmo sendo um filme feito durante a reformulação de Hollywood. Entretanto, e isso já é...