Assistido em 18 de fevereiro de 2022.
Eu enrolei um bom tempo para assistir Hot Summer Nights, e, agora que o fiz, me arrependo de não tê-lo assistido antes. É o tipo de filme que curto assistir num fim de semana à noite após o trabalho. É um filme descompromissado, que vai te proporcionar algum tipo de entretenimento. Porém, queria ter gostado mais desse filme.
Gostei da direção de Elijah Bynum. Há alguns planos fechados que me fizeram recordar o estilo de direção do Wes Anderson e sequencias com a câmera em mãos que me lembraram o estilo de filmar do Paul Thomas Anderson. Mas há um problema em conduzir a narrativa confusa e Bynum acaba se perdendo na própria trama.
O roteiro é interessante e cheio de referências, mas são tantas e tão escancaradas que sobrecarregam a narrativa e ofuscam-na. Também há um sério problema ao acertar o seu tom: em determinados momentos, quando o filme quer ser sério, ele se torna apelativo demais, embora haja sim bons momentos onde o drama é acertado assim como o humor.
O primeiro ato funciona bem ao estabelecer seus personagens, mas ao decorrer do segundo e do terceiro, certas escolhas tomadas no primeiro ato são completamente esquecidas e perdem todo o peso que fora estabelecido. Isso corrompe a narrativa e cria um buraco na história. O terceiro ato é o mais problemático de todos ao escolher um ritmo totalmente acelerado, culminando num desfecho que deixou a desejar.
Há também o grave problema em apresentar personagens que, em determinado ponto, se mostram importantes num contexto, que desaparecem misteriosamente sem explicação nenhuma. Eu não sei se a filmagem desse filme teve algum problema, mas dá a entender que rolou um certo descaso na produção.
Timothée Chalamet está ótimo, mas sofre com um personagem mal resolvido que o roteiro não soube acertar em determinadas características. Há essa timidez que Chamalet soube trabalhar bem, dando camadas para o personagem, mas o roteiro resolveu dar diálogos toscos e piadas em momentos errados, sem falar no desenvolvimento raso que dá para o personagem, que muda bruscamente de personalidade logo no segundo ato sem ter o desenvolvimento necessário no primeiro.

Outro personagem que sofre com isso é Hunter Strawberry, só que, nesse caso, também há culpa no ator, Alex Roe, que não cai bem no papel. Ele parece demasiado perdido no papel e tampouco passa o peso necessário. Sua química com Chamalet não funcionou para mim em momento algum, até porque, a relação entre esses personagens é confusa e repentina demais. Já a personagem vivida por Maika Monroe, Kay, irmã de Hunter, funciona ao lado do personagem de Chamalet graças à atriz. Ela manda muito bem e transmite bem o drama pelo qual passa a personagem, entretanto, é mais uma que sofre com o roteiro pobre.
A montagem estilizada, o cenário e a ambientação imersivas, a fotografia encantadora, a trilha sonora memorável e a direção de arte (especialmente a direção de arte) impecável foram as coisas que eu mais gostei em Hot Summer Nights. Eu fiquei fascinado com o uso de cores e iluminação e provavelmente vou continuar por algum tempo que, futuramente, vou querer revisitar.
Acho que Hot Summer Nights tem um tom descontraído que funciona em determinadas cenas, mas que, quando resolve mudar bruscamente o tom, apostando no drama e romance, peca e degrada a narrativa. Apostar demais em referências nostálgicas pode ser uma ruína às vezes. Mas eu o considero como um filme com um estilo notável.
★★★
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